Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina (SOMP): entenda a nova nomenclatura da SOP
03/12/2021
Atualizado em 20/07/2026
Conheça a Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina (SOMP), entenda a nova nomenclatura da SOP e saiba quais são os sintomas, os fatores de risco, o diagnóstico e o tratamento.
6 min de leitura

A Síndrome do Ovário Policístico (SOP) ganhou nova nomenclatura: Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina (SOMP). A mudança busca representar, de modo mais completo, uma condição que não afeta apenas os ovários, mas também aspectos hormonais e metabólicos da saúde feminina.
Neste artigo do Viver Bem, você vai entender o que mudou, por que essa atualização foi proposta e quais são os principais sintomas, impactos e formas de tratamento da SOMP, entre outros detalhes. Boa leitura!
O que é a Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina (SOMP)?
A Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina (SOMP) é o novo nome da condição anteriormente conhecida como Síndrome do Ovário Policístico (SOP).
Trata-se de um distúrbio hormonal e metabólico que afeta milhões de mulheres em todo o mundo e pode causar alteração menstrual, dificuldades relacionadas à ovulação, excesso de hormônios androgênicos e impactos na saúde metabólica.
O objetivo é adotar um termo que represente de maneira mais precisa a complexidade da condição e seus diferentes efeitos no organismo.
Da SOP para a SOMP: o que mudou?
Durante muitos anos, a condição foi conhecida como Síndrome do Ovário Policístico (SOP). No entanto, especialistas de diversos países concluíram que essa nomenclatura não refletia adequadamente todas as características da síndrome.
Por isso, em 2026, um consenso internacional, publicado na revista científica The Lancet e que envolveu 56 organizações, propôs o nome Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina (SOMP). A nova denominação busca destacar que a condição envolve alterações que vão além dos ovários, podendo afetar diferentes sistemas hormonais e metabólicos do organismo.
Uma condição que vai além dos ovários
O nome Síndrome do Ovário Policístico (SOP) levava às pessoas à ideia de que a condição estava relacionada apenas à presença de cistos nos ovários. No entanto, especialistas apontam que essa interpretação não representa adequadamente a complexidade da síndrome.
Além disso, nem todas as mulheres com a condição apresentam alterações ovarianas identificáveis ao ultrassom. Mesmo quando presentes, os chamados “ovários policísticos” não correspondem, necessariamente, a cistos verdadeiros, mas a múltiplos folículos que interromperam seu desenvolvimento antes da ovulação.
Hoje se sabe que a síndrome envolve mais do que os ovários. A condição pode estar associada a alterações hormonais, resistência à insulina, ganho de peso, maior risco de diabetes tipo 2 e impactos na saúde cardiovascular. Também pode influenciar os ciclos menstruais, a ovulação, a fertilidade e a qualidade de vida das mulheres.
Essa compreensão mais ampla foi um dos principais motivos que levaram à adoção da nova nomenclatura: Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina (SOMP).
O que o novo nome SOMP representa?
A complexidade da condição: aspectos metabólicos, endócrinos e hormonais
Cada parte da nova nomenclatura foi escolhida para refletir características importantes da condição. Vejamos:
- Ovariana: porque a síndrome pode afetar a ovulação e a fertilidade.
- Metabólica: porque está frequentemente associada à resistência à insulina, ao ganho de peso e ao aumento do risco de diabetes tipo 2.
- Poliendócrina: porque envolve diferentes hormônios e sistemas endócrinos do organismo.
Dessa forma, o novo nome procura representar, de maneira mais completa, os diversos aspectos da síndrome.
Aproveite e leia também:
- DIU: o que é, quais os tipos e eficácia?
- Métodos contraceptivos femininos: quais são e o que eu preciso saber sobre o assunto?
![]()
Sintomas e diagnóstico da SOMP
Principais sinais e sintomas da Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina
Os sintomas da SOMP podem surgir ainda na adolescência, próximo à primeira menstruação, mas também podem aparecer ou se tornar mais perceptíveis ao longo da vida. A intensidade varia de mulher para mulher.
Entre os sinais mais comuns, estão:
- Ciclos menstruais irregulares ou ausência de menstruação.
- Dificuldade para engravidar devido a alterações na ovulação.
- Acne persistente.
- Crescimento excessivo de pelos no rosto e no corpo (hirsutismo).
- Afinamento ou queda de cabelo.
- Ganho de peso ou dificuldade para emagrecer.
Nem todas as mulheres apresentam os mesmos sintomas. Em alguns casos, a condição pode passar despercebida por anos até ser investigada durante consultas ginecológicas ou na busca por uma gestação.
Como é feito o diagnóstico: exames e avaliação médica
Não existe um exame único capaz de confirmar a SOMP. O diagnóstico é feito com base na avaliação médica, na análise dos sintomas e em exames complementares.
Durante a consulta, o profissional de saúde pode investigar o histórico menstrual, alterações de peso e sinais clínicos relacionados aos hormônios androgênicos.
Além disso, podem ser solicitados exames de sangue, bem como exames de imagem, como a ultrassonografia, que ajudam a analisar os ovários e descartar outras condições com sintomas semelhantes.
Fatores de risco e a importância do diagnóstico precoce
A causa exata da SOMP ainda não é totalmente conhecida, mas acredita-se que fatores genéticos, hormonais e metabólicos estejam envolvidos em seu desenvolvimento. O diagnóstico precoce é importante porque permite identificar e acompanhar possíveis impactos da síndrome antes que eles se tornem significativos.
Afora as alterações menstruais e reprodutivas, a condição pode estar associada a resistência à insulina, diabetes tipo 2, alterações cardiovasculares e impactos na saúde mental.
Por isso, mulheres que apresentam sintomas persistentes ou dúvidas sobre sua saúde hormonal devem procurar avaliação médica para receber orientação adequada e iniciar o acompanhamento quando necessário.
Impactos da SOMP na saúde da mulher
A Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina pode afetar diferentes aspectos da saúde feminina, indo além dos ovários e da fertilidade. Entre os principais impactos associados à condição, estão:
- Alterações na fertilidade: a dificuldade para ovular pode tornar a gravidez mais desafiadora para algumas mulheres.
- Complicações na gestação: quando ocorre uma gravidez, pode haver maior risco de diabetes gestacional, pressão alta e parto prematuro.
- Resistência à insulina e diabetes tipo 2: muitas mulheres com SOMP apresentam alterações no metabolismo da glicose, aumentando o risco de desenvolver diabetes ao longo da vida.
- Problemas cardiovasculares: alterações na pressão arterial, colesterol e triglicerídeos podem elevar o risco de doenças cardiovasculares.
- Impactos na saúde mental: ansiedade, depressão e dificuldades relacionadas à autoestima são mais frequentes em mulheres com a síndrome.
- Outras complicações metabólicas: a condição também pode estar associada à síndrome metabólica, à apneia do sono e ao acúmulo de gordura no fígado.
Nem todas as mulheres apresentarão essas complicações. Por isso, o acompanhamento médico regular é fundamental para monitorar a saúde de forma individualizada e promover mais qualidade de vida.
Tratamento e manejo da Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina
SOMP tem cura?
A SOMP não tem cura, mas pode ser controlada com acompanhamento adequado, permitindo reduzir sintomas, melhorar a qualidade de vida e prevenir complicações em longo prazo, especialmente quando o diagnóstico é precoce.
Abordagem multidisciplinar: ginecologista, endocrinologista e nutricionista
Como a SOMP pode afetar diferentes aspectos da saúde, o acompanhamento costuma envolver profissionais de diversas áreas, como ginecologistas, endocrinologistas, nutricionistas e, quando necessário, psicólogos.
O tratamento é individualizado e leva em consideração fatores como sintomas, objetivos reprodutivos, saúde metabólica e qualidade de vida.
Mudanças no estilo de vida
A adoção de hábitos saudáveis é uma das principais estratégias para o controle da síndrome. Entre as recomendações mais frequentes, estão:
- Manter uma alimentação equilibrada.
- Praticar atividade física regularmente.
- Buscar um peso adequado.
- Controlar fatores de risco cardiovasculares.
- Manter acompanhamento médico periódico.
Em muitas mulheres, essas medidas ajudam a melhorar os ciclos menstruais, a sensibilidade à insulina e outros sintomas associados à condição.
Opções medicamentosas e tratamentos específicos
Dependendo dos sintomas e das necessidades de cada mulher, o médico pode indicar tratamentos medicamentosos para auxiliar no controle das alterações hormonais, da resistência à insulina, dos sintomas relacionados ao excesso de andrógenos ou da dificuldade para engravidar.
FAQ: Perguntas frequentes sobre SOP e SOMP
1. Qual a diferença entre SOP e SOMP?
Não há diferença entre as condições. SOMP (Síndrome Ovariana Metabólica Poliendócrina) é o novo nome da antiga SOP (Síndrome do Ovário Policístico). A mudança foi proposta para representar, de forma mais precisa, os aspectos hormonais, metabólicos e reprodutivos da síndrome.
2. O termo SOP ainda será usado?
Sim. A transição para a nova nomenclatura será gradual e deve ocorrer no decorrer dos próximos anos. Por isso, tanto pacientes quanto profissionais de saúde ainda utilizarão o termo SOP.
3. Quem tem SOMP pode engravidar?
Sim. Embora a síndrome possa causar alterações na ovulação e dificultar a gravidez em alguns casos, muitas mulheres com SOMP conseguem engravidar naturalmente ou com acompanhamento médico adequado.
4. A SOMP afeta apenas os ovários?
Não. Apesar de impactar a ovulação e a fertilidade, a SOMP também pode estar associada a alterações hormonais, à resistência à insulina, a ganho de peso, ao aumento do risco cardiovascular e a impactos na saúde mental.
5. Como a SOMP se relaciona com o diabetes?
Muitas mulheres com SOMP apresentam resistência à insulina, condição em que o organismo tem mais dificuldade para utilizar esse hormônio de modo eficiente. Isso pode aumentar o risco de pré-diabetes e de diabetes tipo 2, reforçando a importância do acompanhamento médico e da adoção de hábitos saudáveis.